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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Através da Janela - Marcela Fernandes

Há um caminho ainda mais excelente
Do que tudo que este mundo pode oferecer
Basta olhar através da janela
E perceber que há muito, muito mais além

O Amor é tão diferente
O Amor não se deixa corromper
Não busca os seus interesses
Tudo sofre, mas tudo crê

La La La La La La La La La
La La La La La La La

Deixa o Amor sair pelas ruas
Romper os limites feitos pelas mãos
De quem mais necessita viver sem fronteiras
Voar pelas asas do Amor

Verdadeiro Amor... Verdadeiro Amor...
Essa é a Verdade, o Caminho e a Vida que eu quero viver
Agora eu vejo em parte, mas verei face a face

La La La La La La La La La
La La La La La La La

     Tive oportunidade de conhecer a Marcela quando fiz ETED na base da JOCUM de Piratininga-SP.
     Dona de uma personalidade singular, seu trabalho é de fato admirável e dígno de ser prestigiado.
     Essa música me confronta e me encoraja a Amar sem fronteiras... Obrigada Marcela!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Queda

O que exatamente ocorreu quando o Homem decaiu, isso não sabemos, mas, se é legítimo imaginar, ofereço a seguinte impressão – um “mito” no sentido socrático,¹ um conto não de todo improvável.
         Por séculos a fio, Deus aprimorou a forma animal que deveria tornar-se o veículo da humanidade e a imagem de Si Mesmo. Deu-lhe mãos cujo polegar poderia juntar-se a cada um dos dedos, mandíbulas, dentes e garganta capazes de articulação e um cérebro suficientemente complexo para executar todos os movimentos materiais pelos quais o pensamento racional toma forma. A criatura pode ter existido por eras nesse estado antes que se tornasse homem, pode até mesmo ter sido inteligente a ponto de fazer as coisas que um arqueólogo aceitaria como prova de sua humanidade. Entretanto, era apenas um animal, porque todos os seus processos físicos e psíquicos estavam dirigidos a fins unicamente materiais e naturais. Então, na plenitude do tempo, Deus fez com que viesse sobre esse organismo, tanto em sua psicologia como em sua fisiologia, um novo tipo de consciência que poderia dizer “eu” e “a mim”, que poderia olhar para si mesma como uma realidade, que conhecia a Deus, que podia tecer juízos acerca da verdade, da beleza e da bondade e que se achava tão acima do tempo que podia perceber o fluxo temporal passar. Essa nova consciência regia e iluminava todo o organismo, enchendo-lhe cada parte de luz, e não se limitava, como em nosso caso, a uma seleção dos movimentos se sucedendo em uma parte do organismo, a saber, o cérebro. O homem era então totalmente consciência. (...)
         Nesse sentido, embora não de maneira absoluta, o homem era então verdadeiramente o filho de Deus, o protótipo de Cristo, protagonizando de forma perfeita, na alegria e na comodidade de todas as faculdades e de todos os sentidos, aquela submissão filial que Nosso Senhor protagonizou nos padecimentos da crucificação. (...)
         Ignoramos quantas dessas criaturas Deus criou e quanto tempo elas continuaram no estado paradisíaco. A certa altura, porém, elas decaíram. (...)
         Eles queriam ser substantivos, mas eram – e eternamente devem ser – meros adjetivos. Não temos idéia alguma sobre o ato particular – ou a série de atos – em que o desejo contraditório e impossível encontrou expressão. (...)
         Esse ato de obstinação da parte da criatura, que constitui uma inteira falsidade para com sua verdadeira posição de criatura, é o único pecado que pode ser atribuído à Queda.

¹Isto é, um relato do que pode ter sido o fato histórico. Não deve ser confundido com “mito” no sentido que lhe empresta o doutor Niebuhr (representação simbólica de uma verdade não histórica).
Extraído do livro: O Problema do Sofrimento - CS Lewis

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pelo Caminho

     No último final de semana viajei para minha cidade natal, Naviraí – MS e algumas coisas chamaram minha atenção.

1  
          1- Chegando à rodoviária de Curitiba vi algumas pessoas – parecia ser uma família – sentadas sob uma árvore com as mochilas empilhadas e uma fogueira acesa. Convenhamos, uma fogueira no certo de uma metrópole, era no mínimo inusitada.  Veio a minha mente livros como os de Donald Miller e tive a impressão de estar do lado errado, deveria estar ali com aquela gente. Quis me aproximar, faltou-me coragem. Segui viagem.

          2- O ônibus se preparava para sair, quando de dentro dele avistei outra família, nitidamente pai, filho de 10 anos e filha de sete anos – idades aproximadas. Onde estava a mãe? Há algumas poltronas de mim. Não a via, mas sabia que estava ali pelos beijos, tchauzinhos e olhares que a família lançava ao ônibus.
     Fiquei pensando: eles nem sabiam da minha existência. Poderiam mandar um tchauzinho desses para mim ou pelo menos retribuir o sorriso estampado em meu rosto, admirando o momento, mas eles só tinham olhos para uma pessoa e ela estava logo ali.
     Foi então que lembrei, quantas vezes fui essa “mãe”, quantas vezes os sorrisos, beijos e olhares foram para mim e nunca imaginei que ao meu lado alguém pudesse estar se sentindo só. Quantas outras vezes eu estava com o olhar fixo em alguém dentro do ônibus e repeti os mesmos gestos inúmeras vezes, sem os dividir com os demais passageiros.
         Quantas pessoas viajam sem ter quem deseje “Boa Viagem”! Seria estranho mesmo agir de forma tão carinhosa com um estranho, mas nada me impede de estar mais atenta e ler melhor o contexto; afinal esse estranho também é meu próximo. 
    
          3- Na primeira parada, enquanto todos lanchavam eu admirava a noite. Outro ônibus encosta e dentre os passageiros desembarcam um senhor, 45 anos, tira um pente do bolso e arruma os cabelos e uma garotinha de nove anos, novamente idades aproximadas. O pai chama atenção para a combinação cardinal e para o letreio luminoso, ambos à frente do ônibus e afirma que estas são as primeiras coisas que ela deve olhar quando descer em meio a uma viagem para não trocar de ônibus.
    Imediatamente voltei a minha primeira viagem longa e recordei-me das mesmas considerações feitas pelo meu pai, enquanto este penteava o cabelo. Não aguentei, era chorar lá fora ou entrar e escrever. Agora você sabe o que eu escolhi. ;) 

              4- Em uma das cidades que paramos, havia dois homens descarregando um caminhão com peças para um parque de diversão. Óbvio que lembrei de quando quase fugi com o circo. (Para os que me conhecem – kkkkkk você não esperava isso de mim, não é? Kkkkkk) Ainda bem que não o fiz naquela época, mas não deixou de ser uma opção...

          5- Chegando ao MS, paquerava a paisagem que corria pela minha janela e mais uma vez me dei conta de como o céu pra lá é bonito. Não tinha uma nuvem se quer, o céu estava uniformemente azul, o sol amarelo, as árvores verdes, a terra marrom, tudo parecia respirar e sorrir. Surgiu em meu coração muita gratidão a Deus por eu poder fazer parte de tudo isso e viver todas essas coisas.

     Na volta, o céu estava nublado e igualmente lindo, o parque estava funcionando,  um menino com sindrome de down com uns oito anos de idade, não contente em despedir-se da sua avó, entrou no ônibus foi até o último banco cumprimentando todos os passageiros e desceu para acenar sorridente até o ônibus sumir de vista, e a fogueira na rodoviária ainda estava acesa, havia apenas um homem, mochilas e roupas estendidas em galhos de uma pequena árvore.
     Passei por todos eles com sentimento de estar fazendo o movimento certo para este tempo: voltar para casa, para aqueles que me amam, os quais eu muito amo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perfeição que oprime


Consideremos a existência de alguém perfeito – Deus – o qual criou seres a sua imagem e semelhança, ou seja, perfeitos, e deu-lhes o livre arbítrio, com o qual estes se corromperam tornando-se imperfeitos.
         Observemos que o Perfeito ama os imperfeitos a ponto de dar a Sua vida por eles, para que “TODO AQUELE QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA, MAS TENHA VIDA ETERNA”¹. Para Ele não importa quem seja o imperfeito em questão, pois “NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS”² e por isso julgará a todos com justiça, porque Ele “NÃO VÊ COMO VÊ O HOMEM”³.
         O homem, ser imperfeito, atribui unidades de medidas àquilo que só pode ser reputado pelo Ser Perfeito. Você já deve ter ouvido a frase “não existe pecadinho e pecadão, pecado é pecado, o que muda são as conseqüências.”, eu já ouvi e repeti incontáveis vezes e ainda acredito nisso.
Se de fato é verdade, muitas dúvidas e contradições surgem, pois como podemos aprender de uma mesma fonte que existe um Único Juiz, que julga com justiça, e que todos os pecados são semelhantes perante Ele – exceto contra o Espírito Santo, mas não é esse o assunto – e concomitantemente que devemos julgar, sentenciar e executar sentença sobre o pecado dos outros? Onde fica a Graça, o Amor e a história do argueiro e da trave?
Inevitavelmente não fujo a regra, porém tenho me policiado para que paradigmas que precisam ser substituídos não perdurem de forma inadequada ditando ações equivocadas. Não me peça para proferir sobre a vida de outra pessoa além de mim, assim como espero que não profiram máximas sobre mim, pois seus conceitos podem estar errados.
A Graça e o Amor são para todos que não tentarem merecer o “céu”; quanto ao argueiro e a trave, se essa história estivesse viva dentro de cada um, faríamos do mundo um lugar melhor.
Confesso que estou longe de ser perfeita ou santa – afirmar o contrário seria presunção – e Deus, e somente Ele, tem liberdade para transformar minha vida de acordo com Seus padrões, pois sei que me ama e quer o melhor para mim.
         A Perfeição não deve oprimir, deve libertar.
         Toda mudança necessária é efetivada através do Espírito Santo e não por força ou lógica humana, que aos olhos de Deus podem não fazer sentido, assim como a lógica de Deus por vezes não faz sentido algum para nós.
         Se pudesse escolher entre o fariseu que diariamente estava no templo, recitava orações em voz alta e era considerado “santo” pela sociedade, e o publicano, ladrão que era desprezado pela mesma, sem dúvida escolheria o segundo, porque a Cristo foi conveniente passar a noite em sua casa.
         Digam o que quiserem; sou pecadora, tive um encontro com o Mestre, creio em Deus, que o sangue de Cristo me limpa de todo pecado e a Perfeição Dele me liberta.
         Se a “Perfeição” que você conhece te oprime, talvez não seja a verdadeira Perfeição. Mas dizer isso não cabe a mim. Nada aqui é uma verdade pronta, são apenas doces e belas imperfeições.
         Veja o vídeo da música To Know Your Name - Hillsong

¹Jo.3:16
²Rm.2:11
³ISm.16:7