No último final de semana viajei para minha cidade natal, Naviraí – MS e algumas coisas chamaram minha atenção.
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1- Chegando à rodoviária de Curitiba vi algumas pessoas – parecia ser uma família – sentadas sob uma árvore com as mochilas empilhadas e uma fogueira acesa. Convenhamos, uma fogueira no certo de uma metrópole, era no mínimo inusitada. Veio a minha mente livros como os de Donald Miller e tive a impressão de estar do lado errado, deveria estar ali com aquela gente. Quis me aproximar, faltou-me coragem. Segui viagem.
2- O ônibus se preparava para sair, quando de dentro dele avistei outra família, nitidamente pai, filho de 10 anos e filha de sete anos – idades aproximadas. Onde estava a mãe? Há algumas poltronas de mim. Não a via, mas sabia que estava ali pelos beijos, tchauzinhos e olhares que a família lançava ao ônibus.
Fiquei pensando: eles nem sabiam da minha existência. Poderiam mandar um tchauzinho desses para mim ou pelo menos retribuir o sorriso estampado em meu rosto, admirando o momento, mas eles só tinham olhos para uma pessoa e ela estava logo ali.
Foi então que lembrei, quantas vezes fui essa “mãe”, quantas vezes os sorrisos, beijos e olhares foram para mim e nunca imaginei que ao meu lado alguém pudesse estar se sentindo só. Quantas outras vezes eu estava com o olhar fixo em alguém dentro do ônibus e repeti os mesmos gestos inúmeras vezes, sem os dividir com os demais passageiros.
Quantas pessoas viajam sem ter quem deseje “Boa Viagem”! Seria estranho mesmo agir de forma tão carinhosa com um estranho, mas nada me impede de estar mais atenta e ler melhor o contexto; afinal esse estranho também é meu próximo.
3- Na primeira parada, enquanto todos lanchavam eu admirava a noite. Outro ônibus encosta e dentre os passageiros desembarcam um senhor, 45 anos, tira um pente do bolso e arruma os cabelos e uma garotinha de nove anos, novamente idades aproximadas. O pai chama atenção para a combinação cardinal e para o letreio luminoso, ambos à frente do ônibus e afirma que estas são as primeiras coisas que ela deve olhar quando descer em meio a uma viagem para não trocar de ônibus.
Imediatamente voltei a minha primeira viagem longa e recordei-me das mesmas considerações feitas pelo meu pai, enquanto este penteava o cabelo. Não aguentei, era chorar lá fora ou entrar e escrever. Agora você sabe o que eu escolhi. ;)
4- Em uma das cidades que paramos, havia dois homens descarregando um caminhão com peças para um parque de diversão. Óbvio que lembrei de quando quase fugi com o circo. (Para os que me conhecem – kkkkkk você não esperava isso de mim, não é? Kkkkkk) Ainda bem que não o fiz naquela época, mas não deixou de ser uma opção...
5- Chegando ao MS, paquerava a paisagem que corria pela minha janela e mais uma vez me dei conta de como o céu pra lá é bonito. Não tinha uma nuvem se quer, o céu estava uniformemente azul, o sol amarelo, as árvores verdes, a terra marrom, tudo parecia respirar e sorrir. Surgiu em meu coração muita gratidão a Deus por eu poder fazer parte de tudo isso e viver todas essas coisas.
Na volta, o céu estava nublado e igualmente lindo, o parque estava funcionando, um menino com sindrome de down com uns oito anos de idade, não contente em despedir-se da sua avó, entrou no ônibus foi até o último banco cumprimentando todos os passageiros e desceu para acenar sorridente até o ônibus sumir de vista, e a fogueira na rodoviária ainda estava acesa, havia apenas um homem, mochilas e roupas estendidas em galhos de uma pequena árvore.
Passei por todos eles com sentimento de estar fazendo o movimento certo para este tempo: voltar para casa, para aqueles que me amam, os quais eu muito amo.
A cada post vc me surpreende mais! te amo!
ResponderExcluirVlw Gi, tbm te amo e muito...
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