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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Regras

Por onde andarmos, enquanto vivermos, estaremos sob regras, leis e doutrinas humanas que delimitam o que podemos fazer, ter e ser. Mas quão eficazes elas são? Até onde uma regra pode controlar ou mudar um desejo?

Adoro comer amoras, quando vejo uma amoreira meus olhos brilham, sinto o gosto da fruta na boca e desejo profundamente que tenha ao menos uma amorinha para me saciar e me dar prazer.

Se hoje entrasse em vigor uma lei declarando a amora uma fruta proibida, tanto de comer quanto de se desejar, isso não faria com que eu deixasse de gostar. Talvez por medo de pagar uma multa ou ser condenada eu não comesse, mas ainda a desejaria e posso afirmar que por conhecer seu gosto a desejaria mais intensamente.
Nessa suposta situação eu estaria em um conflito interno entre certo e errado, desejos e regras e não viveria quem eu realmente sou.

Imagine comigo... Se me conectassem a uma “máquina da verdade” e diagnosticassem as verdades mais profundas em mim. Com certeza o gosto e o desejo pela amora apareceriam e eu seria condenada mesmo depois de tanto esforço para não a comer.

Concluo então que o que realmente conta não são apenas ações e sim a motivação, o que acredito e sou.

Construo o que sou a partir do que acredito, então para que aja mudança não preciso de limites e sim de experiências que transformem minhas crenças, mude meus gostos e me faça desejar outras coisas.

Algo grande o suficiente. Intenso o suficiente. Misterioso o suficiente. Para chamar minha atenção. Só o Amor de Deus pode constranger e geral uma nova pessoa. Por isso Paulo nos aconselha a buscar as coisas do alto.  

Cl.2:20-23 Regras e doutrinas humanas não controlam os desejos da carne.
Cl.3: 1-4 Pensar nas coisas que são do alto - ter um relacionamento com Deus – transforma a essência do nosso ser.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Salvador


A noite é ensurdecedora quando o silêncio é escutado
E eu estou de joelhos, e eu sei que alguma coisa está faltando
Porque o fundo da minha mente está segurando coisas que eu estou confiando
Mas eu escolhi ignorar isso porque eu estou sempre negando eles

Eu sou um pouco maniaca quando as coisas não são como eu planejei
Porque eu começo a perder minha cabeça e então eu me levanto em panico
Se lembra quando a gente era criança e sempre soubemos quando parar?
Estamos negando uma crise ou estamos com medo de admitir isso?

Eu não quero saber

Eu só quero correr pra você
E quebrar as correntes e jogá-las fora
Eu só quero ser muito
E sacudir o pó que me fez a ferrugem
Mais cedo ou mais tarde, eu vou precisar de um salvador, eu vou precisar de um salvador

Isso nunca vai mudar se você quer que continue o mesmo
Eu realmente odeio isso mas eu sei que é difícil escolher se você está preso
E quando tudo o que você controla porque você não tem mais nada pra segurar
Você está ficando mais e mais, está difícil deixa-lo ir

Eu não quero saber

Eu só quero correr pra você
E quebrar as correntes e jogá-las fora
Eu só quero ser muito
E sacudir o pó que me fez a ferrugem
Mais cedo ou mais tarde, eu vou precisar de um salvador,
eu vou precisar de um salvador

Me levante e talvez eu não seja tão pequena
Liberte minhas mãos e pés e talvez eu não caia sempre
Me salve

Eu só quero correr pra você
E quebrar as correntes e jogá-las fora
Eu só quero ser muito
E sacudir o pó que me fez a ferrugem
Eu só quero correr pra você
E quebrar as correntes e jogá-las fora
Eu só quero ser muito
E sacudir o pó que me fez a ferrugem
Mais cedo ou mais tarde, eu vou precisar de um salvador,
eu vou precisar de um salvador
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Essa música consegue descrever muito do que estou vivendo.
Quando estamos sozinhos e tudo que ouvimos é o silêncio podemos ter duas reações, a primeira sentir paz e a segunda quase enlouquecer por perceber que além de silêncio existe um vazio.
Somos incompletos sozinhos e com facilidade nos apegamos a qualquer coisa que pareça preencher esse vazio, então nos encontramos no "controle" da siuação.
Seria engraçado se não fosse trágico.
Por isso eu reconheço que eu preciso de um Salvador e eu já o encontrei. Jesus é o meu Salvador, preenche todo vazio e no silêncio ainda ouço a Sua voz.



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mudanças

         Todos os dias passamos por transformações, algumas inevitáveis como o envelhecimento, outras resultado das escolhas que fazemos. A mudança não é relevante em si, porém como reagimos a ela determina seu caráter.
         A vida é um ciclo. Nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos, construímos família, muitas pessoas queridas passam pelas nossas vidas, envelhecemos e morremos. E tudo isso é natural. Porque relutamos tanto para percorrer este ciclo?
         Quando pequena, pensava em nunca mudar de casa, pois não teria mais as frutas no quintal, a calçada para jogar bola, o conforto da poltrona já ajustada ao corpo, a liberdade e segurança de uma vizinhança amiga. A mudança fez-se necessária e aqui estou, realmente não tenho mais as mesmas coisas, mas tenho coisas e pessoas especiais em minha vida que jamais imaginei que existissem.
         Fui transformada no que hoje sou. Estou me transformando no que serei amanhã. Quero que isso se dê da melhor maneira. Quero participar conscientemente destas mudanças. Quero VIVER a VIDA...
         Por que perdemos tanto tempo com coisas irrelevantes como ressentimento, mágoa, ódio, tristeza, falsidade, medo, arrogância, ganância, impiedade, entre muitas outras?
         Por que não, amar, sorrir, perdoar, pedir perdão, acolher, ter misericórdia, ousar com coragem, ser o que somos de verdade?
         Não será "do dia para a noite", mas EU VOU MUDAR. Conscientemente, eu vou mudar. E para isso conto com a direção de Deus, pois sem Ele não sou, nem quero ser, nada. Ele é meu TUDO e quero que seja TUDO em mim.
         Cada pessoa tem seus próprios desafios, suas metamorfoses, suas escolhas...
         Talvez hoje essas palavras ainda lhe pareçam desconexas...

                               
 Esta música da Vanusa – Mudanças – me encoraja a não me omitir e viver a mudança...
           

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Através da Janela - Marcela Fernandes

Há um caminho ainda mais excelente
Do que tudo que este mundo pode oferecer
Basta olhar através da janela
E perceber que há muito, muito mais além

O Amor é tão diferente
O Amor não se deixa corromper
Não busca os seus interesses
Tudo sofre, mas tudo crê

La La La La La La La La La
La La La La La La La

Deixa o Amor sair pelas ruas
Romper os limites feitos pelas mãos
De quem mais necessita viver sem fronteiras
Voar pelas asas do Amor

Verdadeiro Amor... Verdadeiro Amor...
Essa é a Verdade, o Caminho e a Vida que eu quero viver
Agora eu vejo em parte, mas verei face a face

La La La La La La La La La
La La La La La La La

     Tive oportunidade de conhecer a Marcela quando fiz ETED na base da JOCUM de Piratininga-SP.
     Dona de uma personalidade singular, seu trabalho é de fato admirável e dígno de ser prestigiado.
     Essa música me confronta e me encoraja a Amar sem fronteiras... Obrigada Marcela!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Queda

O que exatamente ocorreu quando o Homem decaiu, isso não sabemos, mas, se é legítimo imaginar, ofereço a seguinte impressão – um “mito” no sentido socrático,¹ um conto não de todo improvável.
         Por séculos a fio, Deus aprimorou a forma animal que deveria tornar-se o veículo da humanidade e a imagem de Si Mesmo. Deu-lhe mãos cujo polegar poderia juntar-se a cada um dos dedos, mandíbulas, dentes e garganta capazes de articulação e um cérebro suficientemente complexo para executar todos os movimentos materiais pelos quais o pensamento racional toma forma. A criatura pode ter existido por eras nesse estado antes que se tornasse homem, pode até mesmo ter sido inteligente a ponto de fazer as coisas que um arqueólogo aceitaria como prova de sua humanidade. Entretanto, era apenas um animal, porque todos os seus processos físicos e psíquicos estavam dirigidos a fins unicamente materiais e naturais. Então, na plenitude do tempo, Deus fez com que viesse sobre esse organismo, tanto em sua psicologia como em sua fisiologia, um novo tipo de consciência que poderia dizer “eu” e “a mim”, que poderia olhar para si mesma como uma realidade, que conhecia a Deus, que podia tecer juízos acerca da verdade, da beleza e da bondade e que se achava tão acima do tempo que podia perceber o fluxo temporal passar. Essa nova consciência regia e iluminava todo o organismo, enchendo-lhe cada parte de luz, e não se limitava, como em nosso caso, a uma seleção dos movimentos se sucedendo em uma parte do organismo, a saber, o cérebro. O homem era então totalmente consciência. (...)
         Nesse sentido, embora não de maneira absoluta, o homem era então verdadeiramente o filho de Deus, o protótipo de Cristo, protagonizando de forma perfeita, na alegria e na comodidade de todas as faculdades e de todos os sentidos, aquela submissão filial que Nosso Senhor protagonizou nos padecimentos da crucificação. (...)
         Ignoramos quantas dessas criaturas Deus criou e quanto tempo elas continuaram no estado paradisíaco. A certa altura, porém, elas decaíram. (...)
         Eles queriam ser substantivos, mas eram – e eternamente devem ser – meros adjetivos. Não temos idéia alguma sobre o ato particular – ou a série de atos – em que o desejo contraditório e impossível encontrou expressão. (...)
         Esse ato de obstinação da parte da criatura, que constitui uma inteira falsidade para com sua verdadeira posição de criatura, é o único pecado que pode ser atribuído à Queda.

¹Isto é, um relato do que pode ter sido o fato histórico. Não deve ser confundido com “mito” no sentido que lhe empresta o doutor Niebuhr (representação simbólica de uma verdade não histórica).
Extraído do livro: O Problema do Sofrimento - CS Lewis

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pelo Caminho

     No último final de semana viajei para minha cidade natal, Naviraí – MS e algumas coisas chamaram minha atenção.

1  
          1- Chegando à rodoviária de Curitiba vi algumas pessoas – parecia ser uma família – sentadas sob uma árvore com as mochilas empilhadas e uma fogueira acesa. Convenhamos, uma fogueira no certo de uma metrópole, era no mínimo inusitada.  Veio a minha mente livros como os de Donald Miller e tive a impressão de estar do lado errado, deveria estar ali com aquela gente. Quis me aproximar, faltou-me coragem. Segui viagem.

          2- O ônibus se preparava para sair, quando de dentro dele avistei outra família, nitidamente pai, filho de 10 anos e filha de sete anos – idades aproximadas. Onde estava a mãe? Há algumas poltronas de mim. Não a via, mas sabia que estava ali pelos beijos, tchauzinhos e olhares que a família lançava ao ônibus.
     Fiquei pensando: eles nem sabiam da minha existência. Poderiam mandar um tchauzinho desses para mim ou pelo menos retribuir o sorriso estampado em meu rosto, admirando o momento, mas eles só tinham olhos para uma pessoa e ela estava logo ali.
     Foi então que lembrei, quantas vezes fui essa “mãe”, quantas vezes os sorrisos, beijos e olhares foram para mim e nunca imaginei que ao meu lado alguém pudesse estar se sentindo só. Quantas outras vezes eu estava com o olhar fixo em alguém dentro do ônibus e repeti os mesmos gestos inúmeras vezes, sem os dividir com os demais passageiros.
         Quantas pessoas viajam sem ter quem deseje “Boa Viagem”! Seria estranho mesmo agir de forma tão carinhosa com um estranho, mas nada me impede de estar mais atenta e ler melhor o contexto; afinal esse estranho também é meu próximo. 
    
          3- Na primeira parada, enquanto todos lanchavam eu admirava a noite. Outro ônibus encosta e dentre os passageiros desembarcam um senhor, 45 anos, tira um pente do bolso e arruma os cabelos e uma garotinha de nove anos, novamente idades aproximadas. O pai chama atenção para a combinação cardinal e para o letreio luminoso, ambos à frente do ônibus e afirma que estas são as primeiras coisas que ela deve olhar quando descer em meio a uma viagem para não trocar de ônibus.
    Imediatamente voltei a minha primeira viagem longa e recordei-me das mesmas considerações feitas pelo meu pai, enquanto este penteava o cabelo. Não aguentei, era chorar lá fora ou entrar e escrever. Agora você sabe o que eu escolhi. ;) 

              4- Em uma das cidades que paramos, havia dois homens descarregando um caminhão com peças para um parque de diversão. Óbvio que lembrei de quando quase fugi com o circo. (Para os que me conhecem – kkkkkk você não esperava isso de mim, não é? Kkkkkk) Ainda bem que não o fiz naquela época, mas não deixou de ser uma opção...

          5- Chegando ao MS, paquerava a paisagem que corria pela minha janela e mais uma vez me dei conta de como o céu pra lá é bonito. Não tinha uma nuvem se quer, o céu estava uniformemente azul, o sol amarelo, as árvores verdes, a terra marrom, tudo parecia respirar e sorrir. Surgiu em meu coração muita gratidão a Deus por eu poder fazer parte de tudo isso e viver todas essas coisas.

     Na volta, o céu estava nublado e igualmente lindo, o parque estava funcionando,  um menino com sindrome de down com uns oito anos de idade, não contente em despedir-se da sua avó, entrou no ônibus foi até o último banco cumprimentando todos os passageiros e desceu para acenar sorridente até o ônibus sumir de vista, e a fogueira na rodoviária ainda estava acesa, havia apenas um homem, mochilas e roupas estendidas em galhos de uma pequena árvore.
     Passei por todos eles com sentimento de estar fazendo o movimento certo para este tempo: voltar para casa, para aqueles que me amam, os quais eu muito amo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Perfeição que oprime


Consideremos a existência de alguém perfeito – Deus – o qual criou seres a sua imagem e semelhança, ou seja, perfeitos, e deu-lhes o livre arbítrio, com o qual estes se corromperam tornando-se imperfeitos.
         Observemos que o Perfeito ama os imperfeitos a ponto de dar a Sua vida por eles, para que “TODO AQUELE QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA, MAS TENHA VIDA ETERNA”¹. Para Ele não importa quem seja o imperfeito em questão, pois “NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS”² e por isso julgará a todos com justiça, porque Ele “NÃO VÊ COMO VÊ O HOMEM”³.
         O homem, ser imperfeito, atribui unidades de medidas àquilo que só pode ser reputado pelo Ser Perfeito. Você já deve ter ouvido a frase “não existe pecadinho e pecadão, pecado é pecado, o que muda são as conseqüências.”, eu já ouvi e repeti incontáveis vezes e ainda acredito nisso.
Se de fato é verdade, muitas dúvidas e contradições surgem, pois como podemos aprender de uma mesma fonte que existe um Único Juiz, que julga com justiça, e que todos os pecados são semelhantes perante Ele – exceto contra o Espírito Santo, mas não é esse o assunto – e concomitantemente que devemos julgar, sentenciar e executar sentença sobre o pecado dos outros? Onde fica a Graça, o Amor e a história do argueiro e da trave?
Inevitavelmente não fujo a regra, porém tenho me policiado para que paradigmas que precisam ser substituídos não perdurem de forma inadequada ditando ações equivocadas. Não me peça para proferir sobre a vida de outra pessoa além de mim, assim como espero que não profiram máximas sobre mim, pois seus conceitos podem estar errados.
A Graça e o Amor são para todos que não tentarem merecer o “céu”; quanto ao argueiro e a trave, se essa história estivesse viva dentro de cada um, faríamos do mundo um lugar melhor.
Confesso que estou longe de ser perfeita ou santa – afirmar o contrário seria presunção – e Deus, e somente Ele, tem liberdade para transformar minha vida de acordo com Seus padrões, pois sei que me ama e quer o melhor para mim.
         A Perfeição não deve oprimir, deve libertar.
         Toda mudança necessária é efetivada através do Espírito Santo e não por força ou lógica humana, que aos olhos de Deus podem não fazer sentido, assim como a lógica de Deus por vezes não faz sentido algum para nós.
         Se pudesse escolher entre o fariseu que diariamente estava no templo, recitava orações em voz alta e era considerado “santo” pela sociedade, e o publicano, ladrão que era desprezado pela mesma, sem dúvida escolheria o segundo, porque a Cristo foi conveniente passar a noite em sua casa.
         Digam o que quiserem; sou pecadora, tive um encontro com o Mestre, creio em Deus, que o sangue de Cristo me limpa de todo pecado e a Perfeição Dele me liberta.
         Se a “Perfeição” que você conhece te oprime, talvez não seja a verdadeira Perfeição. Mas dizer isso não cabe a mim. Nada aqui é uma verdade pronta, são apenas doces e belas imperfeições.
         Veja o vídeo da música To Know Your Name - Hillsong

¹Jo.3:16
²Rm.2:11
³ISm.16:7

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tua Voz

No silêncio
É quando menos espero ouvir qualquer som,
No barulho de uma multidão de pessoas
Fazendo uma multidão de coisas
Em um mesmo instante
É quando menos espero discernir qualquer som,
Surpreendente é que sem romper o silêncio
O Senhor fala comigo
E que em meio a tanta poluição sonora
Ouço claramente sua voz
Minha disposição em parar para,
Dita o quando ouvirei de Ti
Minha obediência para com o que ouvi
Dita quão profundas e intensas essas experiências podem ser
Parar... Ouvir... Obedecer... Viver...
Verbos, ações, práticas...
Que transformam vidas
Vidas sofridas vividas sem expectativas...
Vidas alegres, confortáveis, seguras...
O Verbo, dando Vida às vidas
Parar... Ouvir... Obedecer... Viver...

Escrevi esta poesia às 02:00h do dia 19/09/2010 quando estava na Vila do Louvor, base da JOCUM em Piratininga-SP e hoje vasculhando alguns arquivos me deparei com ela e confesso: já não lembrava de tê-la escrito. 
É bom fazer anotações... rsrsrs

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Problema do Sofrimento – C. S. Lewis

     Gosto muito de ler, principalmente C. S. Lewis e quero dividir com você um pouco do que tenho aprendido e sobre o que tenho refletido essa semana. O autor confessa no prefácio à edição original, sentir-se distante do assunto discorrido, porém admito que mais uma vez sua lucidez me persuada. Se, pensava diferente, nem recordo mais como pensava, mas é nisso que hoje acredito.

“Em toda religião desenvolvida, deparamos com três vertentes, e no Cristianismo existe ainda outra.”
Resumidamente são elas:
1° Experiência do Numinoso
2° Lei Moral
3° Poder Numinoso se torna o guardião da Moralidade
4° Um homem nascido entre Judeus
“‘Se Deus fosse bom, Ele desejaria tornar Suas criaturas perfeitamente felizes, e se fosse todo-poderoso, seria capaz de fazer o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas.’ Esse é o problema do sofrimento em sua forma mais simples.”
“Talvez possamos conceber um mundo em que Deus corrigisse as conseqüências do abuso do livre-arbítrio por parte de suas criaturas a cada momento. (...) Em um mundo com tais características, no entanto, as ações torpes não seriam possíveis, e, portanto, a liberdade da vontade seria nula. (...) Que Deus possa modificar e, de fato, por vezes modifique o comportamento da matéria e realize o que chamamos milagres faz parte da fé cristã, mas a própria concepção de um mundo comum e, portanto, estável requer que essas ocasiões sejam extremamente raras.”
“Quando o Cristianismo afirma que Deus ama o ser humano, está querendo dizer que Deus ama o homem: não que Ele tenha alguma preocupação “desinteressada” – por ser indiferente – com respeito ao nosso bem-estar; mas que, de maneira assustadora e surpreendente, somos os objetos do seu amor. Você pediu um Deus amoroso: agora tem um. O grande ser que você invocou com alegria, o “senhor de temível aspecto”, está presente: não uma benevolência senil que preguiçosamente deseja que você seja feliz à sua maneira; não a filantropia de um juiz escrupuloso; tampouco os cuidados de um anfitrião que se sente responsável pela comodidade de seus convidados, mas Ele próprio o fogo a consumir-se, o Amor que criou os mundos; pertinaz como o amor do artista por sua obra e despótico como o amor de um homem por seu cão; proveniente e venerável como o amor de um pai por um filho; ciumento, inexorável e exigente como o amor entre os amantes. Como isso realmente se passa, ignoro. Está além da razão explicar por que alguma criatura, para não dizer criaturas como nós, deveria ter um valor tão prodigioso aos olhos de seu Criador.”
FicaDica ;)


Gostou? Leia o livro. 
Posteriormente Lewis escreveu “A Anatomia de Uma Dor – Um luto em observação” onde fala com toda propriedade sobre o sofrimento, pois acabara de ver o grande amor de sua vida morrer. Sendo este último, dentre todos os livros que já li, meu favorito, altamente o recomendo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ainda em vida

     "Falam coisas tão bonitas sobre as pessoas nos funerais que eu fico até chateado por saber que perderei o meu." Autor desconhecido.
     Hoje me deparei com essa frase, que despertou em mim sentimentos adormecidos e fico feliz por isso, é sempre bom rever anotações e refletir sobre o que te proporcionou crescimento.
     De funerais eu posso discorrer com propriedade. Rsrs Soa como humor negro, mas é só a melhor forma que encontrei para lhe dar com a verdade.
     Desde tenra idade frequento velórios, normalmente familiares, mas também de pessoas ligadas a amigos. No começo era um choque. Lembro-me de um em particular, um recém nascido, fiquei imprecionada com suas mãos tão pequenas e ao mesmo tempo compridas e pálidas, ajustadas sobre o corpo. Crianças deveriam ser polpadas de reuniões fúnebres.
     Acredito que toda situação, por mais difícil que seja, nos permita um aprendizado. Aprendi em cada perda que depreciamos o tempo e perdemos oportunidades valiosas que nunca regrassam.
     Geralmente ao lado da pessoa que está sendo prestigiada, familiares, amigos, colegas e curiosos se emocionam, pronunciam tantas palavras sobre os feitos compartilhados, a relevância do relacionamento e a saudade que se instala - mais uma vez, estão mais preocupados consigo e na "dor" que sentirão.
     O que não me conformo são os prantos desesperados, desmaios e súplicas de perdão. Cenas dramáticas demonstrando culpa e algumas vezes arrependimento. Quem sou eu para julgar! Caso não conheça, a diferença é que o culpado, assim que se estabiliza a normalidade volta a praticar os mesmos atos, enquanto o arrependido muda sua postura, não retrocedendo em seu proceder.
     Em todos os funerais que estive, minha consciência estava em paz, fiz tudo o que pude para a pessoa em questão, quando esta, ainda em vida pode receber.


     Quero viver a vida intensamente e isso inclui rir e chorar, acertar e errar, pedir e liberar perdão, correr com uma criança e sentar em um fim de tarde com um idoso e ouvir suas histórias; investir meu tempo com o que de mais importante tenho, as pessoas com quem me relaciono, estejam elas em casa, no trabalho, faculdade, escola, ônibus, vizinhança...
     Uma palavra e um gesto de carinho valem mais que cenas dramáticas...
     Às vezes, justo com uma pessoa que amamos, deixamos crescer uma barreira, que com o passar do tempo só se consolida, tornando-se mais desafiadora e exigindo muito mais coragem para se transpor e reconstruir um relacionamento saudável.
     Faça uma pausa na correria do seu dia-a-dia e avalie seus relacionamentos. Tenho certeza que você pode tornar mais agradável a vida de muitas pessoas.
     Viva de maneira que essa frase não se cumpra sobre aqueles que estão ao seu redor, pelo menos no que pedender de vc.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Deus não é

     Ao longo dos anos, nós seres humanos, temos buscado "a resposta à Grande Questão da vida, o universo e tudo mais¹" e nessa frenesi encontramos as mais distintas respostas, dentre elas, "Quarente e dois¹".

     Particularmente, creio em Deus. Creio em um Deus Onipotente, Onipresente e Onisciente. Um Deus que é Amor.
 

     A triste realidade é que as pessoas estão fazendo desse Deus um gênio da lâmpada mágica e agindo como se fossem o Aladin. Colocam Deus em um recipiente que julgam ser apropriado e o solicitam quando estão em apuros.


     Deus só cabe em um recipiente, nosso coração. Não creio que Ele escolha morar em nós para que possamos pedir o que desejamos e Ele realize nossos desejos. Deus permite que nós sejamos morada dele para que possamos desenvolver um relacionamento íntimo e sincero. Diferente da hipocrisia que encontramos com frequência hoje em dia, o farisaísmo tão repulsivo a Jesus.

     Deus não é a sua Bíblia, suas roupas de ir à igreja, suas imagens, seus ritos e mitos. Deus não pode ser empacotado para viagem ou encaixotado para a mudança.
     Deus é amor, Ele só pode ser vivido...


     Tenho pensado sobre quem Deus é para mim e refletido sobre meu relacionamento com Ele. É, talvez eu também tenha objetificado Deus, mas não é assim que me sinto mais confortável. Por incrível que pareça o conforto vem justamente de não ter o controle da situação, mas saber que em qualquer situação Ele está comigo.

     Quem Deus é para você? Separei este vídeo, talvez ele te ajude como me ajudou...

Veja a letra e a tradução da música em: http://letras.terra.com.br/michael-gungor/1661063/traducao.html 

Referência: ¹ Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Cap. 27 pág.132

domingo, 18 de setembro de 2011

Comunicação e Padrões

     Um ano atrás, aprendi que tudo o que faço comunica quem sou; minhas roupas, acessórios, postura, fala, bens materiais, a forma como organizo as coisas, tudo está comunicando algo sobre mim. Meu blog não é diferente, por isso quero explicar porque escolhi este wallpaper.

     Gosto de escrever desde criança e me sinto confortável e inspirada à noite. Gosto da noite, das estrelas, do escuro, do silêncio, de como podemos ouvir sons baixíssimos que a poluição sonora do dia sufoca.

     A noite para mim é linda, algo realmente a ser apreciado e tenho enfrentado muitas críticas por isso. Já me falaram que Deus criou o dia, a luz, que Ele abomina as trevas, que os que andam à noite são filhos do diabo – até parece que estamos falando de vampiros – e que a noite foi feita para dormir (claro que a regra se exclui automaticamente se você precisar de um hospital de madrugada rs).

     Ah, se não fosse à noite para nos contar um pouco sobre o universo... Os astrônomos Ptolomeo, Aristarco, Copérnico, Galileo, Kepler e Newton, podem discorrer com mais propriedade sobre o assunto, pois admito ser uma apreciadora leiga.

     Também gosto de cobras, tenho medo, mas gosto de olhar para elas no Terrário do Passeio Público – Curitiba. E o que ouço? Cobra é um animal amaldiçoado, é o símbolo do “você sabe quem”. Mas a cobra é um predador importante para o equilíbrio dos ecossistemas e como todos os outros animais, ela foi criada por Deus ou evoluiu (de acordo com sua crença).

      Gostar do que não é comum, não faz de alguém uma aberração ou uma má pessoa, embora os padrões aceitos pela sociedade nos façam sentir o contrário. Não ter medo de quem somos, não ter vergonha de admitir as diferenças, não deixar de viver intensamente tudo o que Deus tem individual e coletivamente para cada um, estes são meus desafios diários.
     FicaDica ;)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Onipresença

 “Ransom tentou transmitir ao sorn alguma noção da terminologia terrestre dos sólidos, dos líquidos e dos gasosos. Escutou com grade atenção.
 – Não é assim que se diz – respondeu o sorn. – O corpo é movimento. Se estiver a uma velocidade, dá para sentir um cheiro. Se a outra velocidade, ouve-se um som. A outra velocidade ainda, vê-se uma imagem. E a uma última velocidade, não se vê, nem se ouve, nem se sente o cheiro, nem se conhece o corpo de modo algum. Mas preste atenção, Pequenino, as duas extremidades convergem.
 – Como assim?
– Se o movimento for mais veloz, o que se move estará mais próximo de estar em dois lugares ao mesmo tempo.
–É verdade.
– Mas se o movimento fosse ainda mais rápido... é difícil explicar porque você não conhece muitas palavras... você percebe que, se você acelerasse cada vez mais, no final o objeto em movimento estaria em todos os lugares ao mesmo tempo, Pequenino.
– Acho que percebo isso.
– Bem, então, é isso o que está em primeiro lugar em relação a todos os corpos: tão veloz que está em repouso, tão verdadeiramente corpo que deixou totalmente de ser corpo.”
C. S. Lewis – Além do Planeta Silencioso (Primeiro livro da trilogia cósmica) Pág. 126 e 127

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ainda Bem - Marisa Monte

Ainda bem, que agora encontrei você,
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer, você

Porque ninguém, dava nada por mim
Quem dava, eu não tava afim
Até desacreditei, de mim

O meu coração, já estava acostumado
Com a solidão, quem diria que ao meu lado,
Você iria ficar, você veio pra ficar,
Você que me faz feliz, você que me faz cantar, assim

O meu coração, já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão, tinha sido maltratado
Tudo se transformou, agora você chegou
Você que me faz feliz, você que me faz cantar, assim
Ainda bem...


Para você, que como eu, curti um bom MPB, a nova música da Marisa Monte vem acarinhar nossos ouvidos.