Ah, Solidão!
Por ti navego em um mar sem horizontes
Guiando-me por um céu sem estrelas
E como o sal
Você absorve a vida que há em mim
Se me anulo?
Não quero parecer ingrata
Mas, que satisfação há em viver longe de
quem se ama?
Cabe ao poeta solitário escrever
Registrar a história que outros vivem
Revelar a obscuridade de seu ser
E o romantismo de sua alma
Tirano sentimentalismo que a tudo
intensifica e consome
Caminhos obstruídos e encruzilhadas
Abarrotam-se inescrupulosamente
Cujo objetivo não é acertar
E sim, seguir em frente
Os pontos da vida não se acumulam em
vitórias
É como reagimos a todas as situações
Que revelam quem intrinsecamente somos
São nos erros que encontramos maior
saldo de aprendizado
Como rejeitá-los então?
Quer conhecimento?
Invista tempo em questionamentos
Quer ser feliz?
Não questione
Quero ser feliz, mas como parar de
questionar?
Como parar se até isso é uma questão?
Ah, lógica ilógica da felicidade!
Corrompe meu coração em seu anseio
Anula qualquer sanidade que se
interponha
Ah, vida desarmônica
Que na solidão me faz companhia
E ao ouvir passos que se aproximam, me
abandona
Se isso é vida
Desconheço seu significado
Se isso é vida
Me pergunto se de fato estou dedicando o
melhor de mim
Se meu empenho em viver não se limita a
um mero sobreviver
A escolha de não interferir é uma
interferência
Logo, se interfiro que faça diferença
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